Anda ver o deus banqueiro
Que engana à hora e que rouba ao mês
Há milhões no mundo inteiro
O galinheiro é de dois ou três
José Afonso
Esta camisa-de-forças,
Chicote de sete varas,
Não é coceira que possas
Aliviar sem escaras
Pois são tantas as feridas
Abertas, vendo o vergão
Nas costas submetidas
Debaixo da servidão,
Que mesmo que te revoltes
E com tal rebelião
Se atrofie entrementes
O olho do furacão,
A avidez, de olhar agudo,
Olhos de lince mordaz,
Afia as garras e tudo
Esfola, deixando atrás
Da sua voracidade,
De tanta sofreguidão
E perversa opacidade,
A cruel devastação.
Basta ver os dois ou três
Galos deste galinheiro,
Para ouvir cantar os donos
Que mandam no mundo inteiro.
© Domingos da Mota
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