1.11.26

PARA SEMPRE

Cavalgamos a luz.../ e eis-nos ante
O súbito lugar da eternidade:
O nó cego do tempo que nos há-de
Cumular de silêncio: doravante,
Rente ao chão do futuro deslizante,
Confina-se o devir que nos invade:
Irrompe, surde desde a intimidade
Da terra com a terra: culminante
Solapa-se o sentido dos sentidos:
Soterrados, dispersos, dissolvidos,
Talvez foz, para sempre, assoreada;
Talvez chuva de cinzas e de vento:
No baldio mais chão do esquecimento,
Talvez húmus apenas: pó/... e nada.


Domingos da Mota

Pequeno trado das sombras, Busílis, 2018

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