Das águas corredias da memória
emergem os liames da incerteza:
retêm lendas, mitos e a história
das crenças, das ideais e a beleza
das artes, dos ofícios, da cultura,
e de terras fecundas e até sáfaras
que foram ou serão a sepultura
de quem partiu do fio das diásporas.
É veloz o decurso desta vida:
um dia após o outro e, de repente,
já fomos, e o que sobra à despedida
oxalá fosse pasto de semente:
de novo sentiríamos o sol,
quem sabe se flor, se rouxinol.
© Domingos da Mota
(publicado também aqui).
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