05/12/2015

DEZEMBRO

Tão baixo, possível. familiar,
o luar é apenas sujeira no céu.
Ainda mais abaixo, há grilos, mosquitos,
morcegos, a água barrenta
de um riacho, a doçura
dos frutos rachados pelos vermes
e também a aspereza
em rostos que o tempo tratou
como pedra que nunca foi movida.
Não fui uma ave migradora
e há rios que deixam de fluir
sem encontrar algo maior.

Daniel Francoy

CALENDÁRIO, Artefacto, Lisboa, Agosto de 2015

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