(para Domingos da Mota)
Não irei para o céu. Digo demasiados
palavrões, levanto tempestades em copos
d'água, tenho a maior dificuldade em perdoar
o mal que me fizeram, rasteiras insidiosas
que ao longo das estradas, invariavelmente,
me fazem cair e esfolar os joelhos.
Não irei para o céu, peço a cabeça
dos meus adversários e vejo-me a partir
cada um dos ossos dos meus inimigos,
em vez de ser benigno e lhes dar a outra face.
Não irei para o céu, a uns olho-os de lado
e em certas ocasiões até lhes rosno. Não irei para o céu.
Irei para outro lado, onde a hipocrisia não valha nada
e a verdade doa como espada a retalhar o espírito.
26.2.2026
Amadeu Baptista
colhido no perfil de Amadeu Baptista, no Facebook
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