20.2.26

NEM O FIO DA ESPADA

Nem o fio da espada o atravessa,
o fogo não o queima mesmo forte,
a água embora muita não o molha,
o vento violento não o seca

e poderão trocar-se o sul e o norte,
destruírem-se enfim o este o oeste,
uma forma qualquer ficar disforme,
terra tornar-se mar e mar a terra,

tudo o que é ser e faz parte do mundo
saber que vai viver breves segundos,
que os polos andarão enlouquecidos -

perene sobre mim não vou esquecer
o teu olhar: sinal de uma certeza
que a morte ignora e para sempre existe.



António Salvado

Ecos do Trajecto seguido de Passo a Passo, Edição Ricardo Neves Produção Lda. - A.23 Edições, 2014: 114



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