100.
ascendendo
para a terra. Espera-nos
o pó. Um pó
apaixonado.
A MÃO DE ÁGUA E A MÃO DE FOGO, Antologia Poética, Selecção e Organização de António Ramos Rosa, Posfácio de Maria Irene Ramalho Sousa Santos, «Fora de Texto», Coop. Editorial de Coimbra, CRL, Coimbra, 1987
Devora-me a sede de infinito.
Que vou fazer? Como resolvê-la?
Decido: saio para a noite e fito
o espaço nu, a luz duma estrela.
Eugénio Lisboa
O Ilimitável Oceano (Algumas Observações), Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, Março de 2001
(colhido, com a devida autorização, na sua página do Facebook)
Sei que não hão de restar
sequer os dentes
nas cinzas do futuro.
Talvez este poema
faça eco
num beco sem saída.
Nem todos os fantasmas
são entidades translúcidas.
Alguns são antes de tudo
a matéria escura da linguagem.
Nuno F. Silva
Sol Subterrâneo, Edição Húmus, Vila Nova de Famalicão, Fevereiro de 2024
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Aceita o transitório; nada do que
é definitivo, e dura, te pode atingir.
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Raiz sempre presente, e do futuro
mistério aventurado mal ou bem
e sopro imaculado p'la manhã,
da árvore pendido um doce fruto
que derramado embora a ela puro
volta de novo, e que é voz e silêncio
dum canto renovado permanente
que para ser existirá sem música,
zumbido duma brisa acolhedora,
corrente d'água límpida a fluir
até ser a miragem do meu sonho,
princípio da beleza mavioso,
luz radiante em raios onde põe
a certeza de nunca ela o cobrir.
António Salvado
Ecos do Trajecto seguido de Passo a Passo, Edição Ricardo Neves Produção Lda., - A.23 Edições, 2014
fugi dos poetas
de patas de chumbo
fugi da má rima
um morto é defunto
fugi dos poetas
de patas de chumbo
fugi da má rima
um morto é defunto
António Ferra
lengas e narrativas, Edição Húmus, Vila Nova de Famalicão, Junho de 2022
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