23.8.13

Ode aos amigos

Canto os amigos: bem poucos, amigos 
do seu amigo. Não os amigos fortuitos. 
Mas os que enfrentam perigos, e cada um 

com seu jeito, contados e recontados 
pelos dedos da mão, são valiosos
guardados no lado esquerdo do peito.

Dos amigos dessa lavra, tão singulares, 
incomuns, amigos, numa palavra,
couberam-me em sorte alguns.

Canto os amigos de modo a não cair 
mais no erro de tomar a parte pelo todo, 
ou de esquecer quem não devo.

Já não falo dos da infância, das escolas, 
dos liceus, de armas, de muita errância, 
de tertúlias, de saraus, dos amigos 

de trabalho que labutam por aí, 
ou que perdi nos atalhos 
da vida que percorri.

Canto os amigos, e a voz que sobe 
num canto assim abraça alguns de vós.
Quem dera que pouse em mim.

© Domingos da Mota



5 comentários:

  1. "...
    Dos amigos
    dessa lavra,
    tão singulares, incomuns,
    amigos, numa palavra,
    couberam-me em sorte
    alguns.
    ..."

    Quando o sentido da Amizade é assim cantado, vale a pena ser Amigo!

    Um abraço

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    1. Grato pelo comentário: acrescento que amigos destes, merecem bem mais que "um canto assim".

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  2. Querido, senti seu poema e sua poesia ao amigo. Feliz aquele que é seu amigo, pois sei que o guarda com prestigio. Lindo, lindo, lindo! Um beijo.

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    1. Leila Onofre,

      Há amigos que merecem bem mais que uma ode, como esta!
      Obrigado pela visita e pela apreciação do poema.

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  3. Canto aos amigos um verso de saudade.
    Canto. Conto. Palavras para a eternidade.
    Abraço o amigo que celebra a amizade!!

    Gostei demais de vir aqui!!

    Abreijos!!^^

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