27/02/2016

OS CEMITÉRIOS TRIBUTÁRIOS

Ainda que aquela unha
arranhe a pedra de jaspe
não importa não é minha
mão me dói por isso o chispe

Por isso quem quiser asse-o
que eu vou andar de barco
e empregar assim o ócio
que vem comigo do berço

Vou à vela vem o vento
e eu grito viva o vício
e mesmo este ar eu minto
e dou-lhe o tom violáceo

Do jogo ninguém me livra
pois caio nele de borco
e palavra por palavra
assim alinho o meu verso

Ruy Belo

HOMEM DE PALAVRA(S), Publicações Dom Quixote, Lisboa, Janeiro de 1970

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