18.12.15

Soneto de Natal

Dissesse do Natal o muito que
se olha sem se ver, aquando e onde
o outro é transparente, como se
fosse um corpo invisível que se esconde,

alheio à roda-viva de quem estuga
o passo pra atingir o desejado
prazer de abraçar a própria fuga,
desprezando os caídos a seu lado;

dissesse do Natal o que é banido,
varrido pra debaixo do tapete,
o muito que apesar de escondido,
não deixa de pungir, como um ferrete,

como são e serão os sem-abrigo,
com a sopa dos pobres, por presigo.

Domingos da Mota

[inédito]

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