01/12/2012

ARIDEZ

O tempo passa devagar,
à volta das crateras.
Os relógios de pulso e os relógios de pêndulo
param,
tudo pára quando,
nos bosques nocturnos de sangue e pedra,
uma criança retira a última espiga do
cálice fumegante da terra.
É uma vida árida,
um pensamento de montanhas ao longe.
As mulheres,
quando o sol cai do outro lado do mundo,
deitam-se de bruços,
a ouvir a respiração da erva.
Mas ninguém cuida das vinhas.
Passam caravanas sem destino e os condenados
andam em círculo,
abandonados por deus.
É assim o longo silêncio das esferas.

José Agostinho Baptista

QUATRO LUAS, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio 2006

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