20/12/2012

Pedro Tamen

                                                                           (Sorneto)



Não digo do Natal - digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.

Pedro Tamen

Memória Indescritível, Gótica, Lisboa, 2000

2 comentários:

  1. Querido Poeta, querido Domingos da Mota!!

    Que não nos faltem olhares para contemplar o mundo poeticamente. Gracias por tantas vezes me emprestares o teu, viu?

    Um Feliz Natal e que 2013 nos traga cores da terra produtiva, cores poesia!

    Um abraço fraterno.

    Carmen Silvia Presotto - Vidráguas!

    www.vidraguas.com.br

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    1. Carmen Silvia Presotto,

      Agradeço e retribuo os votos de um Feliz Natal e de um ano de 2013 cheio de poesia, "a salvação", no dizer do poeta, dado que a prosa do dia a dia só nos promete cores bem negras.
      Abraço,

      DM

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