9.8.13

Desconstrução da luz

Chovia sobre a sombra
das ruas pobres
penteadas para o turismo
Era uma chuva silenciosa
rala
pobre ela também de luz
E o amigo
que já não via as palmeiras
navegantes do seu sonhar
deslizava para a morte
numa poeira dourada de sons
cansados da própria beleza
Sentimos o primeiro sopro
do luto que chegava
a branco e negro
                                                           2007

Urbano Tavares Rodrigues

Horas de Vidro [Poemas do Novo Século], Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Uma perda.
      Deixa-nos a sua obra, e o seu exemplo de luta e verticalidade.

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