19.8.15

CANÇÃO DA MORTE PEQUENA

Prado mortal de luas,
sangue debaixo da terra.
Prado de sangue velho.

Luz de ontem, luz de amanhã.
Céu mortal de relva.
Luz e noite de areia.

Encontrei-me com a morte.
Prado mortal de terra.
Uma morte pequena.

Há um cão sobre o telhado.
Só uma das minhas mãos
atravessava sem fim
montanhas de flores secas.

Catedral de cinza apenas.
Luz e noite de areia.
Uma morte pequena.

A morte e eu, um homem.
Um homem sòzinho, e ela,
uma morte pequena.

Prado mortal de lua.
Trémula a neve geme
atrás de qualquer porta.

Um homem, e quê? Já disse.
Um homem sòzinho e ela.
Prado, amor, luz e areia.

Federico Garcia Lorca

TRINTA E SEIS POEMAS E UMA ALELUIA ERÓTICA, Tradução de Eugénio de Andrade, Editorial Inova Limitada, Porto, Janeiro de 1970

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