8.5.14

Elegia animal

Tantas vezes procuravas
um afago no teu pêlo,
roçagavas e miavas,
pedias colo e ao vê-lo
para o colo me saltavas
e ronronavas feliz;
outras vezes afiavas
as unhas, como quem diz,
nos dedos e mordiscavas
a ferida e a cicatriz;

muitas vezes vigiavas,
com o teu olhar agudo,
a varanda onde as aves
te provocavam, e tudo
com os seus voos rasantes,
instigantes, sobretudo.

Agora não mias mais,
ou se mias é no céu
dos gatos e dos pardais,
mas deixaste aqui um breu
cerrado cujo negrume
não há lume que ilumine,
por muito que outro gato
apareça e nos fascine.

Domingos da Mota

(poema dedicado ao nosso gato que hoje entrou no ciclo do carbono)

[inédito]

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