02/08/2016

O TABERNÁCULO

O tabernáculo fosco deste canto
a carica deitada no centeio
a reduzida mesa a que me encosto
do lado do passeio
Estar a milhas do marquês de Sade
Enfim ó meu vizinho terra mansa
Havemos de aleitar esta criança
democraticamente sem alardes
A cama há muito que não é refeita
(Falta a coragem de não ser turista)
      Sei dum quintal moreno
      Onde se criam pássaros
             Sem alpista

José Afonso

Textos e canções, 3.ª edição revista, Organização Elfriede Engelmayer, Relógio D'Água Editores, Lisboa, Outubro de 2000

Sem comentários:

Enviar um comentário