11/01/2012

FIM

Está, então, completo
o instante de serenidade
e de silêncio da
estátua?
Completas as miríades de palavras
sem o corpo
que agora, delas, se demite?
E acaso não se terá demitido sempre
expulsando o espectro
das palavras suaves que não afirmam
nem negam
nem se desacreditam?
Das palavras exaustas
e definitivas?
Repara no que lhes anula
o ímpeto: o vigor da entrega da criança
sozinha e suicida; e diz-me
porque que a privaste, paixão perversa,
de cortar a própria
língua?

Eduarda Chiote

NÃO ME MORRAS, & etc, Lisboa, Maio de 2004

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