22/07/2012

SONETO DA CURVA DO TEMPO

                         - Ao Domingos da Mota


eu tenho rios tristes na memória
e venho cego de outra antiguidade
não sei amigo se ontem tive história
dentro do bojo da minha cidade


dormi na rua junto co'a escória
e deixei meu eu todo só na saudade
"Era uma vez a a Rainha Vitória..."
num copo sujo bebi tempestade


se me vem o verso todo iluminado
é porque tropecei num clarão qualquer
da lua cheia já fui namorado


mas hoje me passo para o que bem me houver
só sou passado deste meu passado
que me venha o hoje como deus quiser


Júlio Saraiva


Com os meus agradecimentos, e a devida autorização do Poeta, colhido no seu Mural do Facebook.
Mais poemas do autor, no blogue Currupião.

2 comentários:

  1. Julio Saraiva é brilhante! parabéns pela escolha.

    ResponderEliminar
  2. Wilson Caritta,

    Grato pela visita e pelo comentário, em que estamos de acordo.

    ResponderEliminar