02/10/2012

Jorge Fazenda Lourenço

20020607 (a Eugénio de Andrade)


Deve ser o fim - os melhores
Fizeram-se já ao caminho,
Luminoso para eles, para nós,
Os vivos, obscuro, sem perdão.

Hoje, os únicos em festa
São o corvo e o abutre.

Levai-me, espíritos ligeiros,
Partir desejo, o canto
Suspenso é só do vento

Um sopro vão de luz
Um corpo em setembro
O cardo e a malvasia
Na cinza das nossas vozes.

Jorge Fazenda Lourenço

Cutucando a musa com verso longo e curto e outras coisas leves e pesadas, Relógio D'Água Editores, Lisboa, Novembro de 2009

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